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Meditação
O stress causado pelo ritmo de vida moderno e o desejo de encontrar alívio para as pressões do cotidiano têm feito com que muitas pessoas comecem a olhar com mais atenção para um recurso poderoso – a meditação. Mas poucos sabem o que é realmente e como funciona essa ferramenta que tem como objetivo levar o praticante ao autoconhecimento. A própria palavra já induz ao equívoco, uma vez que meditar, no dicionário, significa pensar, refletir. Para o Yôga meditar é aquietar e cessar as ondas mentais, ou seja, parar de pensar. Quando isso acontece, a consciência passa a fluir em um nível mais sutil, acima do mental, que é o intuicional. A verdadeira meditação acontece nesse ponto.
Para que isso aconteça, no entanto, é preciso treinamento, dedicação e principalmente uma orientação correta, afinal não é nada fácil aquietar nossos pensamentos. Segundo Rámakrishna – Mestre de Yôga que viveu na Índia no século XX – a mente humana é como um macaco que tomou álcool, foi picado por um escorpião e teve o pêlo incendiado, tamanha é nossa inquietude. Isso porque nossa mente é alimentada por novidades, por variedade. Quando conseguimos interromper esse fluxo intenso de pensamentos conseguimos enxergar nossa verdadeira personalidade, como se vê mais claramente o fundo de um lago quando sua superfície está serena.
Antes de alcançar a meditação o praticante precisa passar por etapas preliminares que são a abstração (dominar os cinco sentidos para aguçá-los ou não, segundo a sua vontade) e a concentração (fixar toda a atenção em algo, a ponto de saturar as ondas mentais). Esses estágios alavancam o praticante para um nível mais profundo, que é meditar, esvaziar a mente de pensamentos, suprimir a instabilidade da consciência.
No Yôga utilizam-se sons (mantras) ou símbolos, imagens, figuras (yantras) para a concentração e conseqüente prática de meditação. Existem também posições físicas adequadas que facilitam o treinamento, assim como o ambiente ideal, a música e a iluminação, daí a importância de aprender a meditar da forma correta. Não que o treinamento ou a própria meditação ofereçam algum risco, mas simplesmente porque se for feita sem os devidos cuidados, não vai funcionar.
E para quê parar de pensar? Para quê usar a meditação no cotidiano? Exatamente para nos conhecermos melhor, para deixar que apareça nossa verdadeira identidade, escondida sob turbilhões de emoções e pensamentos. Outro detalhe é que, desligando a mente, a consciência passa a fluir em um nível mais sutil e profundo, o intuicional, por onde ocorrem os insights. Esse é o ponto onde aflora a criatividade tão desejada por todos. O segredo é deixar que as informações passem a fluir de dentro para fora e não o contrário, como normalmente fazemos o tempo todo.
Esses são apenas alguns aspectos da meditação no contexto do Yôga. Dentro desta filosofia milenar, originada na Índia, a meditação é uma das partes mais nobres, é a coroação de todo um processo que visa a levar o praticante ao verdadeiro autoconhecimento.
Ana Cristina Pinheiro
Instrutora da Uni-Yôga Bueno - Goiânia / GO
anacristina.pinheiro@uni-yoga.org.br
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