Diferenças entre SwáSthya e Dança





Assistir a uma apresentação de um bailarino tecnicamente impecável, mas que não consegue transcender este nível, torna-se uma experiência que gera ao mesmo tempo admiração pela precisão dos movimentos e tédio pelo vazio dos mesmos. Os grandes dançarinos conseguem adicionar emoção às expressões corporal e facial, mantendo a técnica como base e transformando, assim, a ‘performance’ em arte.

No caso da dança o campo de emoções é ilimitado. O criador da coreografia (coreógrafo) vai utilizar aquela emoção que o está a comover – esta escolha é inteiramente pessoal. Dependendo da corrente de dança, predominarão determinados ambientes. Conhecemos as tragédias e os romances típicos da dança clássica, tão diferentes dos assuntos abordados pelas correntes contemporâneas. De qualquer forma não existem regras fixas, mas tendências históricas.

O bailarino que interpretará uma dança deixar-se-á envolver pela atmosfera emocional indicada pelo coreógrafo, representando-a e transmitindo-a ao espectador. Emoção e técnica deverão estar presentes em cada movimento.

É de se esperar que o Yôga Antigo, que antes de mais nada é uma filosofia de vida, tenha um enfoque diferente. Determinadas emoções combinam com a nossa mensagem enquanto outras, definitivamente não.

Queremos que tanto o apresentador quanto o espectador fiquem submersos no clima emocional propício para viverem felizes. Uma coreografia de SwáSthya deve irradiar vitalidade, força, poder e energia, e jamais sentimentos negativos como melancolia, solidão, possessividade, etc. Ou seja, as emoções com tendência a Eros são incentivadas e as com tendência a Tánatos, evitadas.

Estes comentários estendem-se à estética adoptada e à música eleita, uma vez que todos os elementos de uma coreografia estão ligados entre si.

Advertência: não caia no paradigma de pensar que apenas sorrindo transmite-se sentimentos positivos. Numa coreografia, a simpatia é fundamental, mas as expressões faciais que a demonstram são variadas. O sorriso é uma das escolhas mais frequentes: quando é natural, é maravilhoso, mas quando é imposto ou forçado, desestimula e cria desconfiança. Além disto, o sorriso não se limita a um desenho nos lábios: deve-se sorrir com o rosto e com o corpo inteiro.

Um exemplo de expressão forçada fica claro quando um iniciante, principalmente durante os primeiros instantes da coreografia, tenta sorrir e encontra dificuldades devidas ao excesso de adrenalina. Se este é o seu caso, concentre-se em superar o estado de nervosismo e procure uma expressão facial menos exposta, até que o sorriso surja como uma consequência do prazer de fazer coreografia.

Como já comentei, existe a possibilidade de uma coreografia cúmplice e vital, mas sem sorrir. Pode tratar-se de uma sequência de perfil sério (não confunda com atitude distante, introvertida, agressiva, dramática), que transmita força de forma mais visceral. Neste caso, certamente um sorriso não combinaria. A expressão dos olhos deve ter um papel central. Se esta é a situação da sua coreografia, dê importância ao olhar, para estabelecer uma forte relação com o público. Treine o seu olhar diante do espelho, filme a si próprio ou fotografe-se.

Anahí Flores
Diretora da Sede Histórica em Copacabana - Rio de Janeiro / RJ
www.anahiflores.org



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